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Coesão Territorial, agora ou nunca!

Publicado em 03-09-2020

Após apreciação pública do documento do Prof. Costa Silva, talvez exageradamente apelidado de «Visão Estratégica» para a recuperação da economia portuguesa, pois mandaria a humildade ser antes chamado de contributo para tal objectivo, vai o governo decidir onde aplicar os milhões da Europa, que pretende receber muito rapidamente a nossa proposta para o programa de recuperação.
Se não nos mobilizarmos para que esse programa de recuperação aborde de forma séria e eficaz a coesão territorial dos territórios de baixa densidade, a região Alentejo, com particular destaque infelizmente para o nosso Alto Alentejo, perderá porventura a última oportunidade de conseguir que o seu território em geral ganhe competitividade, fixando empresas e população, que se não circunscrevam apenas a três ou quatro «oásis» em toda a região.


Se as medidas, infra-estruturas e instrumentos de coesão não forem decididas agora, com o dinheiro que aí vem, penso que nunca mais teremos semelhante oportunidade, ou se a viermos a ter, já será demasiado tarde para recuperar então um território ainda mais despovoado e com pouquíssimas empresas que possam verdadeiramente usar esse nome.
Por isso é urgente que as ditas «forças vivas» da região, se organizem e mostrem que ainda existem, unindo-se em torno de um conjunto de propostas que promovam o nosso crescimento acelerado, por forma a ir fazendo diminuir as famosas «assimetrias regionais» que apesar de há tantos anos inquietarem as nossas consciências, não parecem ter solução.
O Primeiro-ministro disse em Coimbra, na «rentreé» socialista, que este dinheiro não é para as grandes infra-estruturas já previstas, que serão financiadas por outros meios, mas sim para outro tipo de investimentos, dando até o exemplo da EN14, o que inculca a ideia de haver intenção de aplicar pelo menos parte importante destas verbas numa óptica regional.
Apelamos assim a que deputados, municípios, partidos, associações empresariais, sindicatos, e outros que se queiram juntar, sejam convocados a dar os seus contributos, para consensualização de um conjunto de medidas de vária ordem que o Alto Alentejo, como um todo, deve propor ao governo, ganhando pois força e coerência as suas solicitações, várias por certo transversais a todos os territórios de baixa densidade.
A concorrência e disputa pelas verbas vai ser enorme, não podemos correr o risco de sermos preteridos por falta de conjugação de esforços a nível regional. Lá diz a máxima, «juntos temos mais força», e como alguém disse, os nossos concidadãos não nos perdoariam que o excesso de individualismo e visão umbilical dos problemas, possam fazer-nos perder esta oportunidade.
Do nosso lado, só podemos manifestar desde já a mais total disponibilidade para a sugerida convocatória, que convém não tardar!

Jorge Pais
Presidente da Direção do Nerpor/AE

Jornal Alto Alentejo, edição nº 686 de 02/09/2020

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